quinta-feira, 7 de setembro de 2017

Da exposição

Os dedos coçaram a tarde toda para escrever algo.
"Deixe coçar", foi o conselho dado (e posto em prática).
Uma pergunta no final da tarde. Uma resposta. Uma confissão.
"Fale agora", foi a percepção.
Os dedos dispararam. Tudo aquilo já falado pra terceiros, foi falado diretamente. Os pensamentos, as sensações, os medos, as vontades, as falhas, as perguntas em forma de afirmações. Foi uma hora de escrita, com poucas interrupções.
"Se apresse para não se atrasar", foi o lembrete mental.
Despediu-se. Recebeu uma despedida que parecia não deixar espaço para a posteridade.
"Aproveite"
{Texto inacabado.
Madrugada de 3ª pra 4ª
Escrito após uma semana de silêncio}

terça-feira, 15 de agosto de 2017

Do deserto

O choro continua não aliviando.
As lágrimas vem lá de dentro, rasgando todo o corpo, a alma e a esperança de que um dia conseguirá se recompor.

Faz uma pausa, fecha os olhos e respira, tentando fazer com que doa menos; acaba doendo mais.

As pausas em meio ao silêncio sempre fazem com que doa mais.

Já faz dias que desejava chorar, mas procurara se controlar...seguir em frente, andar (com rumo).


Não há mais foco visível! Não há estímulos! Não há razões!

Todo o conhecimento espiritualista está no porão, em desuso, empoeirado, esquecido.
As técnicas, as práticas, as vivências: tudo dentro de uma caixa fechada, com pequenas frestas quase que insignificantes.

(praticamente) Nada mais é memorável. Os episódios apenas passam, as cortinas se fecham, as luzes se apagam e não há ninguém no camarim para compartilhar.


Há um deserto, amplamente espaçoso (parece não ter fim). A areia é pálida, não há pegadas visíveis, não há placas indicativas, não há mapa; apenas a vastidão do vazio é perceptível.


O filme passa várias e várias vezes. um apanhado dos melhores momentos ... dos piores também. Dos mais emocionantes, dos mais bonitos, dos mais singelos, dos mais agonizantes, dos mais tristes, dos mais temerosos! O deserto comporta todos os trailers existentes.


As músicas, os diálogos, os gestos, as comidas ... antes tão cheios de sentido, tornaram-se voláteis.


O silêncio [inexplicável] de dias e o medo dele se tornar eterno nessa existência.


O sumiço das palavras, engolidas pelas areias do deserto!

domingo, 13 de agosto de 2017

Da falta de ar


Wherever you are
You know that I adore you
No matter how far
Well I can go before you
And if ever you need someone
Well not that you need help in
But if ever you want someone
You know that I am willing

Oh, and I don't want to change you
I don't want to change you
I don't want to change your mind
I just came across a manger
Out among the danger somewhere
In the stranger's eye

Wherever you go
I can always follow
I can feed this real slow
If it's a lot to swallow
If you just wanna be alone
I can wait without waiting
If you want me to let this go
I am more than willing

Oh, cause I don't want to change you
I don't want to change you
I don't want to change your mind
I just came across a manger
Out among the danger somewhere
In the stranger's eye

Oh, and I don't want to change you
I don't want to change you
I don't want to change your mind
I just came across a manger
Out among the danger somewhere
In the stranger's eye

I've never been with anyone
In the way I've been with you
But if love is not for fun, then it's doomed
'Cause water races, water races down
The waterfalls
Water races, water races down
The waterfalls

And I don't want to change you
I don't want to change you
I don't want to change your mind
I just came across a manger
Where there is no danger
Where love has eyes, it's not blind

segunda-feira, 17 de julho de 2017

Das plantas

Sabe as trepadeiras? O que elas fazem parece meio mágico; mas, na verdade, elas só estão se agarrando em qualquer superfície que encontram ... indo em direção à luz


{Do filme "De onde eu te vejo"}

segunda-feira, 10 de julho de 2017

Do acolhimento

04:40 da manhã.
Acordou às 7h do domingo, mas conseguiu ficar na cama até as 9:30.
Teve uma crise no sábado a noite. Foi salva por um convite para ver a final do masculino de vôlei (Brasil X França).
No domingo recebeu a ligação que há tempos não recebia. Foi na praça. Chorou. Abraçou. Deu e recebeu afeto. Desabafou e recebeu acolhimento. Levou Amor e houve reciprocidade.
Aprendeu o significado de saudade, de ausência, de tempo perdido por embates inúteis, de aperto na alma, de razão e emoção que se contradizem.
Voltou pra casa tarde e, embora tenha se gastado muita energia, acaba de virar uma noite em claro.

segunda-feira, 3 de julho de 2017

Dos convites (e das escolhas)

Última quinta feira do mês, dia de roda. Sua grande amiga aparece pra te prestigiar e te chama pro teatro no dia seguinte. Você aceita. Peça de teatro. Sanduíche vegano. Outro convite. Você nega. Piadas. Fotos. Um pedido. Você aceita (quase que instantaneamente). Conversas. Arrumações. Uma pergunta. Você aceita. Sugestões. São aceitas. Entardecer a céu aberto. Outro convite. Você nega. Mesmo convite. É negado. Conversas. Outro convite. Você aceita. Mas depois nega. Está tudo bem!

Gratidão! (pros sim's e pros não's)

sábado, 24 de junho de 2017

Do que aquece

Trocou o filme pelo restaurante com telões, narrações e vibrações. 
Voltou, nostalgicamente, pra quando fazia isso num passado 
distante: as comidas, os pulos, os abraços comemorativos.

Andou por 3 ou 4 quarteirões, com o mesmo apoio que andara também  
em outrora. Sentiu-se bem e feliz por revisitar aqueles comportamentos 
tão aconchegantes que há tempos não se faziam presentes.

Pouco antes de dormir, sentiu o calor nas costas e 
entendeu, naquele exato momento, que o choro 
de alguns dias antes não era unicamente pela 
falta em si (e nem unicamente pela repetição de gestos 
similares) e sim pela ausência desse calor; calor que 
não queima, calor morno, calor de fora pra dentro, calor suave.


Tão bom quanto o fogo que queima 
é o fogo brando que se faz acolhida
para a carne viva, em chamas.