quarta-feira, 17 de abril de 2024

Da não linearidade

Há quase 3 anos, eu escrevi que nada resolvia, que nada bastava, nada qualquer_coisa. "A dor do luto não é linear", todos me disseram. Em um dia, você só quer morrer também e no outro dia você acorda agradecendo que está viva e querendo fazer todas as coisas possíveis de serem feitas enquanto há vida. Basta o final de uma série pro choro voltar, pra ausência se fazer presente, pra tentar vários subterfúgios que desfoque a dor. Incenso não resolve, vela com aroma não resolve, café com leite não resolve, não acalmam nem a alma e nem o coração. O choro começa e para do nada. A vida também.
...
(texto interrompido porque
ele também não resolve)

domingo, 14 de abril de 2024

Do mosaico

        Foi lá em 2021 que, mais uma vez, meu coração foi dilacerado no âmbito do amor romântico. Eu já estava quase que totalmente dilacerada antes, é verdade. A ruptura foi o golpe final, o tiro no peito em quem já estava com o corpo todo baleado. Ali, eu já sabia que nunca mais iria me reerguer novamente; não pelo golpe final, mas pelo golpe da vida mesmo (ou: pelo golpe da morte, sendo mais coerente).
        Eu sabia que nada, nunca mais, iria ter tanto brilho como antes; que nada, nunca mais, pulsaria em plenitude como antes; nada, nunca mais.
        Foi durante um banho, pós mentoria de 4a feira, que eu senti. Dentro de um abraço apertado, como quem tenta encaixar todas as minhas partes quebradas; numa respiração profunda, como quem tenta oxigenar para revigorar; num choro discreto, de quem tomou consciência do que sentiu.
        Tudo foi acontecendo tão calmamente, de modo tão orgânico, que eu não me surpreendi com o que senti e admirei cada parte dessa construção: cada piada com os carinhos com as pseudo-raivas com os memes com as músicas com os elogios com os "hoje não dá" com os "tá confirmado hoje?" com os "quando você pode?" com as gargalhadas com os presentes com as curiosidades não saciadas com as batatas não comidas com as batatas comidas com os prazeres extremos com o banco de 5 metros com o banco de 2 metros com o banco sem distância com os olhos brilhando com o gato amigo com a aposta ganha com as fotos das viagens com  ... tudo isso que estamos vivenciando.
        Você já entendeu? Eu amo você!

segunda-feira, 4 de março de 2024

Da década encerrada

Dez anos, cinco meses e dois dias

segunda-feira, 12 de fevereiro de 2024

Das assombrações

Eu só não reconheci o tênis. Os dreads presos
em coque, o óculos escuro que eu dei, o lençol
só com os furos no olhos te transformando em
um fantasma, a postura, o short do time de futebol
dos amigos da engenharia, as pernas: eu reconheci!

Na plaquinha presa no peito: "Ex".
Que ironia, não é mesmo?!

Ano passado nos vimos no domingo, esse ano
nos vimos na segunda-feira e eu espero que não
nos vejamos na 3a n
o ano que vem. Falando em ver,
eu a vi - você soube? 
Só não aconteceu nada
porque era um local fechado.

domingo, 24 de setembro de 2023

Das primaveras


Seriam 70.
Incenso e vela azuis!
Um dia em silêncio: paralisada pela tristeza,
escuto Nelson e relembro outras primaveras.
Nenhuma palavra faz sentido, nenhum texto se forma.
Seriam 70.
...

quarta-feira, 20 de setembro de 2023

Das primaveras sem flores

"
A primavera começa hoje e a madrugada de ontem pra hoje foi embaixo de chuva, muita chuva, bastante chuva. O céu amanhaceu cinza, carregado, mesmo depois de ter chovido tanto, parece até eu.
.
Como voce aguentou, desde 2005, sem surtar de alguma forma, qualquer forma que fosse (voce aguentou)? Como lidar com a ausência e o silêncio assim, de cara limpa? É porque o silêncio e ausência definitiva chegaram mais tarde pra voce?! (Por quê não é assim entre a gente também? Das raras vezes que você aparece , mais raras ainda são as vezes que voce fala - ou que eu te escuto)
.
...
Será que eu consigo arrumar a casa para comemorarmos (juntos) a (sua) primavera?
"
(Escritos de setembro de 2022,
mas poderiam ser de hoje)

sexta-feira, 27 de maio de 2022

Dos sabores

O doce de abóbora, tão estimado, agora com um Q de amargo ... indecifrável a sua origem.
O bear mate parece que não tem gás, não trás frescor e não dá o up da cafeína.
O pão carioquinha, que gosto ele tem? Quantos precisa comer pra sentir o gosto?
Ontem, na tentativa de aplacar um pouco da dor e desespero, usei essência de baunilha (que eu mesma fiz). Baunilha, baunilha, bauni ... amargor, tontura, um buraco no estômago, o arrependimento de ter pensado em comprar outra vez, as lembranças de quase um ano atrás! O amargo na boca, a tontura no corpo, a aflição pela letargia de uma parte -externa- de mim: tudo dói.
Aqui do lado, ela não come, cambaleia um pouco, reclama da invasão sofrida, se retira, se deita e dorme.
A fragilidade de uma Rainha é algo muito sofrido de se presenciar; até o gosto das coisas mudam...