quinta-feira, 30 de setembro de 2021

Do que ainda dói

 
Comprar comidas diferentes
O suco de chá mate com limão
A água com gás São Lourenço
A tentativa de ser amável com o Shaman quando estou impaciente
Fazer exames via nasal
O fim das viagens
Andar todos os corredores do mercantil
Os livros não lidos a tempo
As fotos
Os vídeos
A voz ecoando na minha cabeça
A pergunta super real "por que você está correndo tanto?" na BR a 130km/h
Admirar as joias
O silêncio reflexivo
As novidades não contadas
O meu pé de limão
A ausência
Os 150 dias

terça-feira, 28 de setembro de 2021

sexta-feira, 24 de setembro de 2021

Da festa silenciada

    E, basicamente, eu me preparo pra esse dia desde o começo do mês. Me programei para estar em casa hoje e poder te sentir mais presente; porque, mesmo você nunca tendo vindo nessa casa, há varias coisas suas morando aqui comigo.
    Acordei pensando na música do Carequinha e me vesti com sua camisa azul (que eu te dei na época do Geo), abri seu cd da Joana e pus pra tocar. Comi um doce; bem doce mesmo, daqueles que você comeria e beberia um enorme copo d'agua em seguida - e foi o que eu fiz também. E comecei a decorar a casa com os quadros e banners que eu tenho. Tudo aconteceu ao som de Joana, Nelson Gonçalves e Beatles.
    Toda essa decoração hoje (e arrumação ontem), provavelmente, é uma forma de tentar reproduzir as festas que tinham lá em casa. Lembra como você adorava nos reunir? De como, lááááá atrás era costume nos reunirmos toda sexta feira? De como você ficava satisfeito quando estava todo mundo junto dentro de casa? A gente comendo, bebendo, rindo, fofocando, trocando/recebendo presentes, tirando fotos, criando lembranças? E, mais recentemente, de você dizendo por telefone "só faltou você e seu irmão, que moram fora", lembra?
    Hoje, a casa aqui estava arrumada e decorada para uma festa silenciosa que só pôde acontecer dentro de mim, dentro da gente, de todos nós que nos reuníamos lá em casa...
    Eu tenho certeza, plena e absoluta, de que você amanheceu com uma festa especial... espero, de coração, que hoje você tenha ouvido as músicas que por 15 anos não pudemos cantar para você; que elas tenham sido cantadas pelas duas vozes mais doces aos seus ouvidos.

Por aqui teve música e silêncio preenchendo uma casa decorada para você.


Feliz aniversário.
Te amo!

sexta-feira, 27 de agosto de 2021

Da busca (do entendimento e da experiência)

        Era final de 2014, cheguei em casa e vi o vidro, retangular e transparente, tingido parcialmente de amarelo-ouro-envelhecido. Além do susto por ver algo inesperado, fiquei me questionando o porquê daquilo, fiquei tentando entender como que aquele vidro ajudava em algo. Não tive respostas...

        Passados seis anos e meio, me vi com um vidro esverdeado tingido de vermelho. Lá estava eu, de modo prático, naquela experiência. Não foi bom (foi péssimo, em verdade). Eu sabia que estava fazendo do jeito errado, que não iria mesmo funcionar naquelas condições.

        Posteriormente, fiz outra tentativa: dessa vez, usando um vidro transparente tingido de um-transparente-delicadamente-puxado-pra-baunilha-(a flor). Não foi uma experiência ruim, mas eu sabia que ainda não era aquilo; não podia ser aquilo, não justificava, não ajudava quase nada, meio que não valia a pena (na minha cabeça, precisava, realmente, valer a pena).

        Foi só na terceira tentativa, usando um vidro transparente tingido de transparente-brilhante que eu senti a experiência surtindo efeito. Tudo fez sentido, ainda que nada estivesse fazendo sentido. Tudo ficou claro; claro como neve. Era o segundo final de semana de agosto. Embora visse tudo, eu não enxergava nada em meio aquele espaço, agora, cor de neve. Não havia muitos movimentos também: ambientes nevados induzem um estado de recolhimento, de quietude, de apenas estar ali olhando sem sentir. Pronto! Tinha conseguido, tinha entendido, tive a vivência, estive presente naquele momento que só existe uma vez (e que durou o domingo quase todo).

        No fim de semana passado, resolvi testar outro vidro transparente tingido com uma mescla de amarelo-ouro-claro e roxo-jabuticaba. Foi um teste aleatório; eu já supunha que não valeria a pena
: não gostei da experiência (e foi aqui que eu vi que nem sempre precisa valer muito a pena).

        Para esse final de semana, há um vidro azul tingido de transparente.
        Não há mais um objetivo definido.

quinta-feira, 19 de agosto de 2021

Dos traumas das rupturas

Uma cicatriz. Não escuto Lenny Kravitz, Paolo Nutini, Natiruts e Damien Rice com neutralidade. Não gosto de Jack Johnson. Odeio RPG. Não presenteio mais com fotos. Não tenho encantamento por pelúcias. Passo longe da via expressa. Não consigo (te) perdoar integralmente. Ao abraçar alguém, colocando a mão em sua cabeça, sempre me questiono o que sinto por essa pessoa. Parei de comer batata palha.

Não quero conhecer o Peru. Não gosto de cozinhar todo final de semana. Não suporto o som do teclado nas músicas dos anos 80.

Odeio o centro da cidade, principalmente as proximidades da rodoviária. Evito fazer arroz com muito alho, pizza caseira, leite e cookie de aveia. Não escuto AnaVitória, Tiago Iorc, Snatam Kaur, Tiê, Damien Rice e Charlie Brown Jr. com neutralidade. Desativei o "visto por último" e a confirmação de leitura no whatsapp. Tenho palpitações ao passar pelo Bonfim e redondezas.

Não escuto Tiago Iorc, AnaVitória, Damien Rice, Legião Urbana, Tim Bernardes e Caetano Veloso com neutralidade. Lembrei que odeio RPG. Não faço e não compro mais bolo de cenoura. Não programo mais pernoites. Porto Seguro perdeu toda a magia. Não tenho empolgação para filme de terror. Sai do instagram. Odeio o zoom. Tenho pensamentos (pontuais e direcionados) de agressividade. Inaugurei (de fato) meu fígado. Não consigo ouvir o nome do Paulo Gustavo sem ressentimentos.

(Tem mais coisas ...)

sábado, 31 de julho de 2021

Dos poemas

E agora, José?
Outro mês passou,
a saudade ficou,
o silêncio surgiu,
o café esfriou,
e agora, José?
e agora, sem você?
você que tem nome,
lembrado por todos,
você que fez versos,
que ama, conversa?
e agora, José?

Está com a mulher,
está com os puros,
está no caminho,
já não há o que sofrer,
já não há porque gritar,
incômodos não há,
(aqui) o sol raiou,
a felicidade não veio,
o conforto não veio,
o riso não veio,
não veio a companhia
e tudo acabou
e tudo submergiu
e tudo desestabilizou
e agora, José?

E agora, José?
Suas doces palavras,
sua presença constante,
sua gula e jejum,
sua biblioteca,
suas peças de ouro,
suas roupas novas,
sua permanência,
seu foco - e agora?

Com os tubos na mão
quis sair pela porta,
não existia porta;
não quis morrer sem ar,
mas o ar acabara;
quis ir para a Quinha,
Quinha não estava mais.
José, e agora?

Se você voltasse,
se você entendesse,
se você tocasse
as músicas de antigamente,
se você surgisse,
se você se comunicasse,
se você aparecesse...
Mas você não aparece,
estamos de luto, José!

Sozinha no escuro
quão bicho-do-mato,
sem referência,
sem destino seguro
para me acobertar,
sem cavalo preto
que fuja a galope,
eu marcho, José!
(-) Minha filha, para onde?


{Porque eu fiquei com teus últimos escritos; e o último, referenciando os três meses passados da ausência, foi uma adaptação de "José". Três meses passaram, eis-me aqui!}

sexta-feira, 30 de julho de 2021

Da(s) constatação(ões)

Estreou hoje em um novo programa.
Entrei, em algum momento aleatório, apenas para "ver um negócio".
Enquanto sorria por ver o que buscava, ouvi a interrupção:
- blablabla, a mulher do fulano, blablabla ...
- Esposa!

Fechei a página sorrindo mais:
fui surpreendida, positivamente, por duas vezes;
já estava bom!